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Elas fumam

Quando o objetivo é escrever sobre música, não adianta gostar. Não adianta nem mesmo amar – paixão é algo muito importante, sempre, é o combustível perfeito para ir além da vontade, mas não é o suficiente. Não basta curtir, não basta querer, não basta achar tudo muito lindo, muito inspirador e muito foda.

O problema real é que parece que nada basta. Parece que, quando se trata de música, qualquer tipo de análise é insuficiente – todas elas ficam a margem de algo mais difícil de definir, que é a aura da música, sua importância dentro de um determinado contexto e a longevidade de determinada obra. Como dar conta de tudo isso, como não ser injusto e dar a atenção necessária para cada música, cada álbum, cada single, cada conceito?

Não existe tempo suficiente para que leiamos tudo o que realmente importa, não dá para ouvir todos os álbuns do mundo, conhecer todas as influências citadas por esse ou aquele artista, não dá para tentar dar conta de uma completude que é muito maior do que qualquer texto que façamos. O mundo não cabe em uma garrafa – mas a gente sempre tenta prender aquilo que resenhamos dentro de um conceito ou uma expressão inteligente.

É óbvio que é esse o nosso trabalho. Não dá para escapar, precisamos escrever, e não temos cinco anos para analisar cada álbum, checar cada influência e apontar tendências. É impossível fazer tudo, saber de tudo, ter lido tudo. E sempre que escrevemos um novo texto, sabemos que estamos diminuindo alguma coisa, cometendo algum tipo de injustiça ou até mesmo exagerando nos elogios (porque é muito comum nos depararmos cada semana com uma nova banda do coração, pode confessar).

E o gosto pessoal?

Não tem jeito – quando começamos a falar sobre música, escolhemos aquilo que gostamos. Vamos atrás do novo EP do Animal Collective, das faixas que já vazaram do novo álbum do The National, vamos surtar com a vinda do Jonathan Ritchman para o Brasil e escrever uma resenha gigantesca sobre, sei lá, o novo álbum do MGMT.

OK, você gosta disso tudo e de mais um monte de bandas alternativas que fazem um som que você considera relevante? Ótimo. Mas não dá para escrever sobre música falando sobre o que você e seus amiguinhos gostam e ignorar o resto. Não dá para ignorar o sucesso que bate na nossa porta, que está escancarado na nossa cara. Ou você realmente tem a soberba de achar que ignorar Roberto Carlos (ai, é brega) e Ivete Sangalo (é tudo marketing, tudo marketing), além de fenômenos mais imediatos, como as diversas bandas teen que mobilizam verdadeiras multidões para seus shows e pequenas aparições em rádios, vai fazer alguma diferença para o resto do mundo?

Não dá para criar um mundinho, escrever sobre ele, legitimá-lo e achar que o resto não existe. Mas a gente faz isso direto. Pior: fazemos na maior boa vontade, com as melhores intenções, achando que temos o direito de educar todo mundo e sair ditando o que se pode gostar ou não.

E precisamos fazer o contrário também – além de olharmos para o que está bombando no circuito comercial e prestarmos atenção no circuito alternativo, é preciso caçar aquilo que não aparece em lugar nenhum. Aquela banda obscura da Angola, aqueles caras que fazem rap na periferia de uma cidade perdida aqui no Brasil… aquele povo que não aparece no nosso dia-a-dia, mas que faz diferença.

E o repertório?

Essa, é, particularmente, uma das minhas maiores angústias: não tenho idade, não tenho repertório. Não vi o que devia ver, perdi tanta, tanta coisa. Não vi diversas bandas em seu auge, perdi shows históricos, não testemunhei o sucesso dos Beatles, o estouro dos Rolling Stones, não acompanhei a carreira de Roberto Carlos, não vi o auge do Pavement e do Blur.

E esse é o tipo de coisa que simplesmente não dá para recuperar. Não dá para correr atrás. Quando vou escrever um artigo sobre alguma banda, sempre me preparo, mesmo que já tenha ouvido tudo – esta semana, para um especial sobre o Nirvana, ouvi tudo de novo, resgatei diversos textos sobre o movimento grunge e entrei de cabeça em Mudhoney, Alice in Chains, Hole e Pearl Jam. Não queria deixar nada escapar, queria sentir tudo de novo, como se estivesse sentindo na época certa, na hora certa. Resolve? Óbvio que não. Ajuda pra caralho, mas resolver, não resolve.

Mas e aí? Vou deixar quieto e desistir de escrever sobre absolutamente tudo que não pude presenciar, que passou por mim? Não dá. É irreal, absurdo. Mas é importante sabermos que esse tipo de coisa não se resgata – exatamente para que, quando começarmos um texto sobre Jorge Ben, por exemplo, tenhamos a consciência de que só com humildade, muita pesquisa e uma bela dose de cara de pau vamos conseguir falar com alguma propriedade. Vai dar o dobro de trabalho, vai doer, vai ser foda terminar. Vai soar estúpido mesmo depois da décima quinta revisão. Mas a gente tem que ir lutando para adquirir o repertório que o tempo roubou. Mesmo que isso signifique mais uma madrugada em claro, mais um maço de cigarros, mais um café, e uma humildade gigante para virar para um cara que viveu aquilo e perguntar: o que eu estou escrevendo faz sentido?

Já fiz análises apressadas e falei muita merda exatamente por não ter presenciado algumas realidades, que chegam para mim distorcidas, modificadas ou com um nostalgia fora de lugar. Culpa de quem? Minha, que preciso ter a coragem de me enfurnar naquele som até conseguir tirar dali alguma conclusão diferente, inusitada, sem ficar repetindo o que todo mundo já falou. É preciso dar a cara a tapa, e vou te dizer que nem sempre tenho a coragem de fazer isso. Estou aprendendo, aos poucos, a não me desesperar com tudo aquilo que não vi e me focar em fazer o melhor que posso – e transformar esse melhor todo dia, até que ele fique foda e seja um orgulho para mim.

Mas não acho que eu esteja generalizando quando falo que esse não é um problema meu, de âmbito pessoal. Porra, quanta gente não está aí achando que é o melhor crítico musical da paróquia na hora de escrever, por exemplo, uma retrospectiva da carreira do Blur até chegar no já histórico retorno do grupo? E quanta gente não acha que é suficiente conhecer um tiquinho da história do grupo, ter ouvido os principais hits e saber quem é Damon Albarn para fazer um textão e começar a receber os elogios?

Acho lindo que todo mundo se esforce, vá atrás, pesquise tudo que for possível e construa textos maravilhosos. É para isso que estamos aqui – para transformar amor em texto. Mas não dá pra fazer isso sem ter consciência daquilo que não somos, e não vamos ser nunca.

E a emoção, a gente segura como?

Escrever sobre música também é difícil porque se apaixonar é uma coisa que costuma ser não só instantânea como fulminante. Quem escreve sobre ou ama muito (ou os dois) costuma baixar uns 5, 6 álbuns por semana, isso sem contar a imensidão de CDs favoritos que ouvimos sem parar no carro, no ônibus, no metrô, de madrugada, na janela no final da tarde com um cigarro e uma cerveja, e os tantos shows que assistimos sem parar. Daí que são tantas informações (e, literalmente, tantas emoções), que fica difícil não amar muita coisa ao mesmo tempo, curtir tudo muito rápido, e, na pilha de escrever antes que o fogo apague, amamos sem critério, sem cuidado, sem dar tempo ao tempo.

Faz um bem danado, claro, estar em sintonia com tudo que sai por aí de novo, e manter o senso crítico equilibrado o suficiente para não virar aqueles tiozões chatos que só curtem “rock das antigas” e acham que tudo que é lançado hoje é uma merda. É lindo conseguir amar sem amarras, sem chatice intelectualóide, sem preconceito.

Mas calma lá, porque depois bate a ressaca. E a vergonha alheia. “Porra, esse disco, que eu achava simplesmente sensacional semana passada, hoje está só OK. O que aconteceu com ele? E comigo?”. O que aconteceu é que normalmente o tempo ajuda a colocar algumas perspectivas no lugar, e o que era maravilhoso no calor do momento e sob o efeito de umas brejas a mais passa a ser apenas o que é de fato – algo comum, que não vai além de ‘”legal”.

Esse amor passageiro é delicioso, mas precisamos aproveitá-lo com cuidado. Porque quando ele acaba, as resenhas continuam lá, e os elogios também.

Na hora de resenhar shows, então, a paixão costuma ser ainda mais absurda, daquelas que deixam qualquer um sem ar. A gente chega em casa ainda embriagado daquela atmosfera que só um show pode proporcionar, intoxicado de prazer e com uma puta vontade de escrever. Daí vai naquele fluxo de pensamento que o senso crítico não costuma curtir muito. Sai um texto lindo, cheio de odes, de amor pra dar. E, quando acordamos no dia seguinte, fica aquela sensação: porra, que piegas!

E, mais uma vez, o contrário também costuma ser péssimo: chegamos no show de mau humor, com uma puta má vontade, não gostamos do artista, não gostamos do discurso, etc. Daí não tem jeito: o texto sai tendencioso, raivoso, cheio de ressentimento.

Prefiro a paixão ao veneno, claro. E sempre abuso do amor na hora de escrever. Mas, se a gente sempre conseguisse misturar um pouquinho dos dois, todo mundo que lê iria agradecer.

E o preconceito fica como?

Nem adianta negar, todo mundo tem algum preconceito aí guardadinho, só esperando a oportunidade certa pra mostrar as garras. E na crítica musical ele costuma vir revestido de falsa sabedoria. Sabe aquele povo que fala que, se você não curte determinada banda, é porque não gosta de música, só finge?

É uma tática inteligente, porque se você diz “ah, você não curte essa banda, então não entende de música”, é fácil rebater – afinal, quem disse que entender de música é mostrar preferência por algo previamente estabelecido? Mas quem acusa os outros de não gostar de música faz algo mais grave: não é que aquela pessoa não entende a importância da banda em questão, e sim é uma troglodita qualquer que finge ser apaixonada por uma arte da qual não faz parte.

Se você não gosta de música, então não devia estar palpitando, não devia estar escrevendo sobre isso, deveria estar cantarolando melodias radiofônicas e permanecer para sempre em um canto obscuro onde não atrapalhe ninguém com suas opiniões. É meio essa a conclusão que esse povo metido a fodão da música quer que todo mundo chegue – 0 cara não curtiu essa banda? Relaxa, ele não gosta de música mesmo, why bother?

A questão é que definir bom gosto é uma coisa que ninguém conseguiu resolver até hoje. Muita coisa considerada péssima e ridícula anos depois ganha status cult. Esse movimento acontece sempre e é normal que ocorra. Hoje, gostar de coisas thrash é cult, é legal, principalmente com essa onda de não se levar muito a sério no universo artístico.

Mas o que não dá para fazer, nunca, nem de zoeira, é ficar falando que o cara que não gosta da mesma banda que você não gosta de música. Quem lê o que você escreve não é burro – e não merece ser tratado como tal.

“Ah, juntei uns amigos no estúdio e saiu isso!”

Tem uma coisa que me incomoda bastante na música e que acaba refletindo na crítica também. Eu não me levo a sério – e todo mundo que me conhece sabe que eu não consigo segurar a gargalhada quando me deparo com alguém que se acha a última bolacha do pacote.

Mas eu realmente não me conformo quando algumas bandas levam absolutamente tudo na brincadeira, e a crítica vai atrás na boa, sem questionar. Acho lindo que você se divirta com sua banda, que toque por prazer, que ame cada nota, cada riff, cada show, cada composição.  Mas não engulo aquele povo que toca de zoeira, tacando tudo pra cima no palco, fazendo piadinha interna e sendo incensado pela crítica por fazer “música descompromissada”.

Fazer música e se divertir ao mesmo tempo é uma coisa, e estar pouco se fodendo para o que você está fazendo, tocar tudo de qualquer jeito e se achar foda é outra bem diferente. Não consigo respeitar quem faz as coisas de qualquer jeito porque acha que essa é uma postura cool. E não consigo entender quando algum crítico diz que bandas com esse tipo de atitude trazem “frescor a uma cena que se leva muito a sério”.

Isso acontece com no mínimo uma banda gringa por semana, sem lá muito critério, como se irresponsabilidade com a própria criação fosse algo a ser admirado. Desculpa, mas eu não consigo entender.

Os fãs não fazem parte da equação?

Até para quem lida com isso todo dia é difícil compreender a explosão que algumas bandas teen têm experimentado nos últimos tempos. A coisa é tão rápida que chega a ser atordoante: milhares (mesmo, sem hipérbole) de fãs se aglomeram todos os dias nas portas das rádios, seguem reportagens e fazem de tudo para chegar perto de seus ídolos, que tocam em bandas como Restart, Replace, Cine, etc.

Tá legal, pode usar o argumento que você quiser: isso não é música, é lixo, quando eu era adolescente eu ouvia coisas bem melhores… sirva-se de qualquer justificativa que achar mais digna para tentar dizer que essas bandas não fazem música, então não servem de exemplo pra nada.

Mas tenha a noção de que isso não resolve a questão mais importante – se a gente fica tão revoltado com o que “os jovens de hoje” (estamos velhos, é isso?) escutam, como fazemos para tentar entender? Porque se existe uma postura que não dá para aceitar é simplesmente falar que tudo é uma merda, que os adolescentes de hoje são burros e consomem qualquer coisa que lhes é enfiada goela abaixo e que não há salvação.

Não só não dói como acho essencial tentar entender de onde vem essa admiração por bandas que nos entediam musicalmente. É fato que muitos desses músicos são moleques que ainda não têm muita noção de música e alguns, inclusive, têm problemas com acordes simples. Então é hora de saber da boca dos fãs: oi, porque você gosta da banda X ou Y? O que te atrai? O que mais você ouve?

Vá até um show de uma dessas bandas e comece a caçada: fale com todos os fãs que você conseguir, tente sacar o que existe por trás disso tudo. Converse com músicos de outros estilos, saiba o que eles acham também. Converse, obviamente, com as bandas em questão, para entender o que os moleques fazem, qual o background musical deles, a relação com suas respectivas gravadoras, etc.

Acho importante fazer isso, tentar traçar um panorama, por menor que seja, para compreender de onde surge um gosto musical que é tão absurdamente rechaçado pela crítica musical. Porque acho muita pretensão tentar justificar tudo com o mesmo discurso de sempre de que adolescentes são burrinhos e influenciáveis e não merecem nada melhor do que isso. Quem sabe ir atrás não resulta em matérias e análises mais justas e mais esclarecedoras?

Todo mundo lê todo mundo

Eu leio você, que lê o fulano, que é amigo do sicrano, que é meu ex e que lê o blog do fulano… crítica musical é muito isso: você pode não conhecer pessoalmente aquele cara X, mas com certeza vai ler o blog dele. Daí todo mundo se ama, admira todos os textos do outro cara, fica uma puxação de saco sem fim no Twitter…

Acho ótimo que todo mundo leia as críticas dos outros (eu mesma tento ler tudo que dá, sempre, nem que seja depois), mas não dá para ficar na eterna babação de ovo. Nem fazer a mesma coisa, aliás, escrever sobre as mesmas pessoas, as mesmas músicas, os mesmos vídeos… fica chato, restrito e até superficial.

O legal é quando um texto fodão, como esse do Pedro Alexandre Sanches sobre o show de lançamento do segundo CD da Mallu Magalhães, cria um debate que continuou com o Alexandre Matias e foi além. Sempre me sinto bem quando vejo uma discussão extremamente importante (nesse caso, sobre o papel da indústria fonográfica e da crítica musical na criação – e exploração – de um artista) sendo feita na boa, por pessoas que discordam mas nem por isso ficam trocando farpinhas chatas no Twitter ou em seus respectivos blogs.

E quando a intenção é foda mas o resultado é mediano?

Essa é outra coisa que me incomoda muito, e inclusive sempre me deixa travada na hora de escrever. No final do ano passado, na época do Maquinária Festival, entrevistei a Amy Lee, vocalista do Evanescence, para o Portal Virgula.

A entrevista foi longa. Conversamos sobre o novo álbum da banda, ainda inédito, sobre o passado do grupo, que hoje não conta mais com nenhum de seus integrantes originais e passou por mudanças radicais de sonoridade, e sobre os artistas que moldaram a percepção musica dela.

A formação musical de Amy foi sólida, repleta de boas referências. A garota conhece de tudo, é uma apaixonada por trip hop e música eletrônica e tem um tal amor pelo que faz que dá medo. E nem é ingenuidade não: poucos artistas passam tanto amor pela própria música quanto ela, que parece que realmente curte cada uma de suas composições.

Mas e aí? Ela ama cada música dos dois álbuns oficiais da carreira do Evanescence (embora titubeie um pouco na hora de falar do álbum não-oficial Origin, que pouca gente ouviu), mesmo que hoje algumas delas soem distantes. Todo esse amor, esse carinho e essa vontade de fazer música boa terminam na mesma história: um álbum que não passa de razoável, repleto de sonoridades previsíveis e que é rechaçado pela crítica assim que chega às lojas.

Como fazer a crítica de um álbum desses, que vem com todo um repertório de boas intenções mas não atinge o resultado que deveria? Sei muito bem que o que importa é o resultado, não a intenção – se a música é ruim, pouco importa se o artista que fez é foda ou não.

Mas às vezes fico pensando que deveria importar. Fico pensando se, na hora de fazer uma resenha de um álbum, não seria nossa obrigação entender melhor a cabeça de quem faz, os motivos e inspirações que estão diluídos ali. Não sei se é preocupação demais, neura demais, mas quem articula e cria uma obra de arte responde por ela, pelo bem e pelo mal. E é atrás da cabeça dessa pessoa que temos que ir para ver se aquele disco faz ou não sentido.

Isso não resolve a questão principal, claro. A pessoa pode ser foda, mas se o disco for ruim, paciência, não dá para remediar. Mas é possível entender, sacar de onde veio aquilo e talvez o que deu errado.

E essa discussão toda aqui ainda vai longe, longe… assunto é o que não falta. Vamos ver onde vai dar.

Agradeço as pessoas que tiveram discussões sobre esses assuntos comigo e que me inspiraram em vários tópicos =) (em especial, @tonollica e @carolnogueira).

Um resumo desse texto foi publicado originalmente no Portal Virgula

Em seu álbum de estreia, Eu Menti Pra Você, Karina Buhr é pura malemolência. Embora suas letras tragam vários toques irônicos e sarcásticos, o clima que predomina é o da delicadeza. Mas não foi esse lado da cantora que surgiu em seu show de lançamento, que aconteceu na noite de hoje (27) na choperia do Sec Pompéia.

No lugar da sutileza, surgiu a convicção. E no lugar da doçura, a cara a tapa, pronta para se jogar em um novo desafio. Karina apostou alto, criando um universo confessional e intimista em seu álbum de estreia solo, Eu Menti Pra Você. E ao vivo, acompanhada por Bruno Buarque (bateria e MPC), Mau (baixo), Guizado(trompete), Dustan Gallas (teclados e piano), Otávio Ortega (teclados e bases eletrônicas), Marcelo Jeneci(acordeon e piano) e Edgard ScandurraFernando Catatau (guitarras), a cantora trouxe toda a sua energia e cara de pau para encantar o Sesc Pompéia.

Longe da calmaria, Karina apostou no grito e na performance nervosa, pilhada e tensa. E fez muito bem, já que o show, que durou um pouco mais de uma hora, conseguiu reunir com perfeição os acordes harmônicos e calmos do disco com uma vibe mais crua, “suja”, evidenciada pelas guitarras certeiras de Fernando Catatau e Edgard Scandurra. Deu tudo certo, e até mesmo as faixas mais irregulares do álbum de Karina melhoraram muito ao vivo com a interpretação talentosa da cantora e a presença de sua excelente banda de apoio.

A acústica cuidadosa e o ambiente intimista da choperia do Sesc Pompéia – que estava lotada – ajudaram muito a primeira apresentação oficial de Karina Buhr após o lançamento oficial de seu primeiro álbum.

Eu Menti Pra Você pode ser um ótimo trabalho de estúdio, mas a verdadeira força da cantora está no palco – local em que coloca toda a experiência adquirida no Teatro Oficina de Zé Celso em harmonia com a malemolência do Carnaval de Recife que define a sonoridade de sua carreira. É tudo junto – mas dá certo.

A minha dúvida agora é a seguinte: será que o show de Karina vai continuar da mesma forma ou a cantora vai desenvolvê-lo para suas próximas apresentações? Como Fernando Catatau e Edgard Scandurra estiveram presentes apenas no lançamento do CD, Karina vai pegar pesado na estrada sem as guitarras dominantes do conjunto que encantou o Sesc Pompéia.  Vai ficar como?

Depois de lançar o delicioso EP Ayrton Senna (pois é), o Delorean assinou com o sub-selo da Matador Records, a True Panther, para colocar seu novo álbum nas lojas.

Obviamente, a belezinha, intitulada Subiza, já vazou inteirinha na web. Vou ouvir e depois conto o que achei. Enquanto isso, dá uma olhada na prévia no vídeo oficial do single Stay Close que o grupo disponibilizou no Youtube:

Incrível a capa do novo álbum do Eli Paperboy Reed, Come and Get It! Olha só a criatividade:

A dica foi da linda Flávia Durante =)

Finalmente vazou na web na íntegra o esperado documentário sobre o retorno do Blur, No Distance Left To Run. Quero ver quem vai segurar a emoção:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

A Binki Shapiro, do Little Joy, criou há um tempinho já uma iniciativa beneficente em prol das vítimas do terremoto no Haiti. Intitulado Crafts For a Cause, o projeto reúne diversas músicos criando pequenos “mimos” personalizados para um leilão, com renda revertida para a organização sem fins lucrativos Artists for Peace and Justice.

Entre os participantes, Vampire Weekend, Norah Jones, Regina Spektor, Fleet Foxes, No Doubt, Daft Punk, Kings of Leon, Feist e a linda, linda Chan Marshall. Dá só uma olhada nas fotos dela que estão à venda no leilão, além da contribuição da cantora para o leilão de Binki Shapiro: