Pois é. Lei anti-fumo, todo mundo já ficou sabendo, todo mundo tentando se adequar. Meus amigos fumantes, assim como eu, reclamam, sofrem, não conseguem conter a ansiedade na hora que entram na pista pra pegar uma balada; começa o suor, a ansiedade para saber quando vai bater aquele desejo incontrolável de pegar o maço e dar a primeira tragada. Daí tem o DJ, que fuma e precisa dar umas pausas para conseguir o alívio da noite, aquele cara ansioso que fica perto do bar pra poder dar umas escapadinhas de meia em meia hora pra fumar unzinho… tudo muito complexo para quem, como eu, curte a beça uma noite esfumaçada cheia de fumantes para quem o próximo cigarro é o começo da conversa.
E, já que estamos no clima da fumaça, que é a hora em que eu deixo
a preguiça de lado, aproveito pra dar uma atualizada no Nude as The News, que de novo ficou jogado às traças enquanto eu tentava organizar minha vida – bem confusa em julho e ainda mais absurda em agosto.
Quando a gente resolve retomar algumas coisas, começa a perceber que a única forma de trazer de volta é reformular. Então, para os próximos dias, podem esperar reformulações no blog todo, no conceito, na cara… tudo tudo mesmo.
Como estou aproveitando hoje para começar a organizar algumas coisas na minha cabeça, e, principalmente, tentar reunir todos os álbuns que baixei essa semana para começar a resenhar (e, olha, mais de 40 foram, pode ter certeza), vou dar uma prévia do que já ouvi para deixar de introdução para os textos propriamente ditos.
Aliás, não tem só coisa nova não – como deu um pau absurdo no meu computador e perdi metade das coisas q tinha reunido com tanto carinho, tive que começar a resgatar nos rapidshares da vida a maioria dos álbuns, o que me fez escutar tudo de novo. Bora, Brasil.

Jay-Z – The Blueprint 3
Ouvi duas vezes e ainda não estou satisfeita. A pegada futurista, as inúmeras parcerias, os ritmos que se sobrepõem mas muitas vezes não chegam a criar um ritmo homogêneo… há muito que se discutir a respeito desse álbum, que chega às lojas oficialmente no dia 11 de setembro. Confesso que ainda preciso me distanciar da influência que o incrível Ecstatic, do Mos Def, fixou na minha cabeça, com sua incrível sonoridade pesada, tribal e repleta de influências de ritmos internacionais. Mas Jay-Z, quando quer, é mestre, e ele consegue mostrar isso em diversos momentos de The Blueprint 3: como o excelente single Run This Town, dominado pela participação contagiante de Rihanna e a intromissão quase irônica do mestre do ego, Kanye West. Vamos lá escutar mais uma vez…

Max Tundra – Parallax Error Beheads You
Esse é um daqueles álbuns que escuto sem parar há muito tempo, mas que perdi na leva de músicas do meu HD que foram para o limbo. O som intrincado, complexo, cheio de camas, matizes, ritmos e influências é uma daquelas jóias que conseguem dominar o meu iPod sem concorrência. Aqui, o encanto vem da admiração por algo que eu sei que é saboroso, multifacetado e cativante -bem diferente daquele tipo de reverência que leva às lagrimas e que existe na minha relação com outras musicalidades.
O álbum é resultado de seis anos de trabalho, que soma cerca de 40 minutos de música pura. Consegue a façanha de ter cara de música pop ao mesmo tempo em que apresenta uma roupagem retrô e um diálogo com linguagens de vanguarda. Considero esse o trabalho mais acessível de Tundra, e aquele que sempre recomendo como o primeiro álbum a ser ouvido de sua discografia. O problema, ah, que problema, é que é tão viciante que as vezes fica difícil parar para ouvir outras coisas…
Aliás, tem algo que me irrita profundamente naquelas críticas estilo Pitchfork a respeito da obra dele – a afirmação descarada de que “gostamos dele porque ele é um gênio para ser compreendido por poucos”. Não são só os “eleitos” Pitchfork que podem gostar do trabalho de Tundra e se impressionar com a sonoridade intrincada das músicas. As faixas dele estão por aí para conquistar quem estiver a fim de conhecer – é verdade que normalmente as pessoas ou amam ou odeiam, mas nem de longe a música dele é tão hermética ou obscura que só um grupinho iluminado consegue curtir. Sai dessa, porque ninguém está mais na quarta série.

Little Dragon – Machine Dream
Esse quarteto sueco é inspirado – depois de estrear com um divertido álbum homônimo, a banda da encantadora Yukimi Nagano chega mandando muito bem com Machine Dream, um trabalho comandado por um electro pop competente e cativante.
Para quem gosta de um som mais espacial, salpicado por vocais doces, é a pedida certa. O sintetizador aqui não erra nunca, e só peca por não arriscar ainda mais e viajar na musicalidade etérea escandinava. A linda Fortune, a hipnotizante Thunder Love e a dançante Runabout são alguns dos destaques de um álbum delicioso, e que só peca em não trazer hits mais memoráveis e experimentalismos mais condizentes com um segundo álbum de carreira.

Dirty Projectors – Bitte Orca
Dave Longstreth é uma assinatura que equivale a qualidade – após The Graceful Fallen Mango, The Glad Fact, Morning Better Last! e outros álbuns repletos de experientalismo, arranjos vocais e um embate para conseguir equilibrar uma intensa pesquisa musical erudita e complexa com a sonoridade típica da música pop, o compositor e produtor completou o projeto que resultou no incrível Bitte Orca.
Cinco álbuns lançados, hoje Dave Longstreth não está sozinho; o sexteto Dirty Projectors traz guitarras, teclado, baixo e batera, além da voz, que aqui é um instrumento musical tão determinante e condutor da musicalidade quanto qualquer outro.
Bitte Orca é uma explosão de idéias, musicalidade, influências (principalmente de ritmos africanos), instrumentos e ritmos, de tal forma que ouvir o álbum dá uma sensação de impossibilidade de assimilação. De fato, é muito difícil absorver tudo da primeira vez – e é por isso que é um álbum que precisa ser constantemente revisitado e virado de cabeça para baixo.
Volto a falar disso depois, mas o clima alto astral e ensolarado de Bitte Orca tem um pouco da cara de Merriweather Post Pavilion, do Animal Collective, que traz o hit de verão Brothersport e é com certeza um dos álbuns do ano (para mim, ainda ganha de Bitte Orca). O som lotado de camadas e que sempre parece trazer alguma instrumentalidade que passa despercebida inicialmente é um convite que não dá para ignorar. Sinestesia pura.

Miley Cyrus – The Time Of Our Lives
Pois é, vou ter que ir de Dirty Projectors a Miley Cyrus. Como escrever no Portal Virgula é escrever sobre cultura pop e adolescente, é óbvio que resenhar o novo da Miley Cyrus é tarefa obrigatória, assim como foi Lines, Vines and Trying Times, do Jonas Brothers, e Guilty Pleasure, de Ashley Tisdale. E nem de longe isso é ruim – ajuda a ampliar os horizontes musicais.
O EP The Time Of Our Lives conta com sete faixas, que mantém a mesma base de refrões grudentos e musicalidade totalmente linear. A voz de Miley não se destaca em nenhuma faixa, mas ao menos a cantora se mostra afinada o suficiente para dar conta dos agudos que precisa.
As composições, infelizmente, não trazem nada que se destaque, mas é preciso fazer justiça ao esforço da atriz principal da série Hannah Montana – seu EP soa muito melhor do que as canções de outras estrelas teen, como Ashley Tisdale e Demi Lovato.
Por sorte, The Time Of Our Lives é um EP, e termina exatamente na hora em que o ouvinte pensa que aquele som já lhe proporcionou tudo que podia.
Só para terminar, aproveitando que descobri hoje a tarde que meu PC está tão abarrotado de músicas que é hora de comprar um HD externo (já que parar de colocar mais música não é uma opção, oi), já adianto que falta muita coisa para ouvir de novo e colocar algumas impressões aqui: tem o EP Ayrton Senna (pois é!), do Delorean, Vagarosa, da Céu (que falei um tiquinho aqui), Bible Belt, da Diane Birch, See Mistery Lights, do Yacht, e mais um monte de álbuns espalhados por aqui.
See ya.


