Quando Susan Boyle subiu no palco do programa Britain’s Got Talent, a platéia começou a rir da aparência daquela mulher gorda, mal vestida e com forte sotaque interiorano. Os jurados também não disfarçaram o fato de que não estavam prestando a menor atenção na performance de Susan.
E então ela começou a cantar. Uma voz praticamente perfeita, forte, emocionante. A platéia veio abaixo, os jurados olhavam pasma e começava mais uma história de superação.
Tudo que escrevi acima poderia tranquilamente fazer parte do início de qualquer artigo da Reader’s Digest (aqui no Brasil é a Seleções). É a mesma historinha bem contada, para fazer o público chorar e que, claro, é completamente desprovida de sentido. Kitsch é sempre vazio. Mas a questão aqui é um pouco mais complexa: sim, o vídeo de Susan Boyle pode ser considerado como um clássico caso de história açucarada de superação. Mas o vídeo, mesmo que você o assista de maneira imparcial e cínica, como eu fiz, emociona a priori. É assustador o poder que o som da platéia na hora certa, o rosto pasmo dos jurados, a maneira como o programa é filmado e até mesmo a música escolhida por Susan têm de fazer até Gregory House sentir vontade de chorar. Ou, ao menos, de aplaudir a performance de Susan, a mais nova gata borralheira do Reino Unido.
Óbvio que o vídeo foi feito de maneira calculada para fazer todo mundo se emocionar. Mas é emocionante mesmo ver como Susan canta bem. O que irrita agora são os discursos moralistas e politicamente corretos que dizem que o mundo contemporâneo é corrupto e está “perdido” porque é baseado apenas em estereótipos. Não é o mundo contemporâneo que classifica as pessoas em estereótipos: é o ser humano. Todo mundo faz isso. A diferença é que, a partir desses estereótipos, nós podemos realmente conhecer as pessoas e classificá-las de maneiras menos rigorosas e mais inteligentes. Mas o estreótipo, ah, dele ninguém escapa. A Tainá me mandou uma reportagem que saiu no NY Times sobre como as aparências importam, sim. E quem fala que não importa ou vive no clichê ou realmente gosta de mentir.
Aliás, a qualidade musical da apresentação de Susan é inegável. Mas, se ela não cantar mais nada e continuar só fazendo plásticas a la Dilma Roussef, não vai adiantar muita coisa.



Meu, eu sou uma pessoa muito insensível. Não é possível que o mundo se emocione e eu tenha pulado uma parte do vídeo, só pra ver os comentários dos jurados. Isso tem uma cara de fabricado pra mim que não me desce. Mas que ela canta mto é inegável. Mas chorar?! Uhmmm, quem sabe com uma Aida ou Carmen numa bela montagem?