Já escrevi aqui sobre a incrível adaptação feita pela Companhia dos Satyros da obra máxima do Marquês de Sade, 120 Dias de Sodoma. Falei do horror, das cenas de tortura e da sensação que é presenciar uma montagem de um texto com tal nível de subversão. O que eu não sabia é que o horror, no caso, não vem do texto nem da montagem – vem da possibilidade de existir um mundo no qual todo abismo é permitido. E, mais do que isso – o horror vem do cinismo de um mundo que não consegue mais enxergar a própria essência. Testemunhei uma apresentação da peça na qual alguns espectadores riam das cenas de tortura e do cinismo dos libertinos; faziam galhofa da tortura de crianças aprisionadas por 120 dias em um castelo longe de qualquer tipo de civilização; sentiam prazer em ver cenas absolutamente macabras com cenas de assassinato e mutilação; seguiam com alegria o compasso de uma harmonia criada cuidadosamente pelos Satyros com o intuito de horrorizar. Não sei onde fica a banalidade do mal. Não sei como interpretar as reações que surgem diante de uma peça tão tresloucada, cínica e verdadeira em seu questionamento do ser humano. Só sei que é impossível compreender um riso que não venha do nervosismo ou do ódio – e que seja, ao invés disso, uma celebração da alienação questionada pela Companhia dos Satyros.
O horror em 120 Dias de Sodoma
Fevereiro 15, 2009 por stefaniegaspar



Sinceramente?
Acho que o público não está acostumado a enfrentar este tipo de realidade num palco de teatro.
Lembro que, no começo de 2005, fui assistir a peça “Sete Gatinhos”, do nelso Rodrigues, no Teatro da Folha lá no Shopping Frei Caneca! Na época, eu e uma amiga ficamos horrorizada da forma como o público reagia: nos momentos de tensão e nojo (o comportamento sexual que a peça é forte demais), as pessoas riam e se divertiam!
Naõ sei se era o choque de ver algo tão comum, mas tão asquerosa de perto ou se elas não tinham capacidade de compreender o real significado daquilo. De qualquer forma, saímos chocadas do teatro.
Desde então, entendo que os brasileiros ainda mantêm-se cegos para a realidade nua e crua que nos rodeiam. Acho que o telexpectador ou espectador mesmo, prefere-se manter alienado ou dar risada do que captar a mensagem por trás daquela intervenção cultural!
Compreendo muito a sua indignação! Mas infelizmente esta é a realidade que vivemos!
Beijos