
Em um dos volumes de The Conversation Series, o crítico de arte Hans Ulrich Obrist entrevistou o quadrinista Robert Crumb, que criou, entre outros, os personagens Mr. Natural – sátira da geração hippie -, Fritz the Cat e Flakey Foont. Crumb, mesmo a contragosto, tornou-se não só um ícone da contracultura americana dos anos 1960 como o precursor dos chamados “underground comix”, quadrinhos alternativos que surgiram como uma resposta à tradição das HQ’s dos anos 1950 e a partir de um contexto histórico dominado pela reação ao conservadorismo e simbolizado pelo movimento da luta dos direitos civis.
Crumb tornou-se uma paixão – não por acaso, é o tema de meu TCC, trabalho de conclusão de curso de Jornalismo. Crumb é genial não só pelo traço e estilo únicos, como pela maneira como explora temáticas como a contracultura (continuamente satirizada), conflitos raciais, convenções sociais e suas próprios neuroses. Crumb é um egocêntrico, um polemista, uma figura a parte – curiosamente, essa imagem é, ao mesmo tempo, o mito e a realidade. Essa ambiguidade é uma das coisas mais intrigantes na obra de Crumb – além de, é claro, sua deliciosa cara de pau de escrever e desenhar qualquer coisa.

Na pequena entrevista feita por Hans Ulrich Obrist, Crumb fala de sua obsessão por colecionar vinis – em especial obras de blues, tema que rendeu uma série de quadrinhos maravilhosa, lançada no Brasil pela Conrad -, do porque atualmente mora em uma cidadezinha interiorana na França, de sua relação com seus personagens antigos e até mesmo de arquitetura. É um convite para conhecer mais da obra de Crumb, embora o livro não traga grandes novidades sobre sua figura e suas idiossincrasias.
Neste pequeno vídeo, Crumb fala de um de seus desenhos mais comentados – a capa do álbum Cheap Thrills, de Janis Joplin.



ele ganhou 600 dólares para fazer esse desenho e achou bom, embora não gostasse da música… isso é legal.
[...] Visto no Nude as the News [...]