A graça de um festival grande como o Planeta Terra é justamente o de poder escolher: quem quisesse poderia passar a noite toda no Indie Stage, no Main Stage ou no DJ Stage, ou simplesmente circular sem parar entre os palcos (minha decisão). Além de todos ficarem muito perto um do outro, a estrutura do Festival ajuda quem quer circular pelo espaço – os banheiros são perto, a praça de alimentação é grande e com uma razoável variedade (claro que tudo estava muito caro) e tudo é muito bem sinalizado. Só não se acha quem já está muito bêbado.
Os horários também foram rigorosamente respeitados: o público podia se programar calmamente, tendo a certeza de que nenhum furo da organização bagunçaria os horários dos palcos. Quem quis, conseguiu ver um pouco de cada apresentação dos três palcos. O som, aliás, variou muito: no Main Stage estava baixo, no Indie Stage estava muito alto (compreensível, já que o lugar é fechado) e no DJ Stage estava ensurdecedor.
Agora, os shows. Quando cheguei ao Indie Stage, por volta das 16h, o lugar estava tão vazio que me assustei. Às 16h30, quando começou o 1º show, a lotação continuava insignificante, o que não atrapalhou o show do Brothers of Brazil, a banda do… Supla. OK, não há como negar: o show de Supla e do irmão é absurdamente hilário. Não dá para ficar indiferente. O inglês tosco, as letras clichês e o som previsível são o de menos, porque é muito engraçado ver Supla se esgoelando na bateria e João Suplicy todo vestido de branco. Sem contar que uma banda que entra no palco ao som do hino do Brasil e canta quase tudo em inglês não dá para ser levada tão a sério. Mas que a apresentação do Brothers of Brazil é divertidíssima, é inegável.
O segundo show, da banda Curumin, foi muito divertido, embora a platéia não tenha ajudado muito – afinal, todos estavam esperando a psicodelia do Animal Collective. Mas eu gostei bastante da mistura de música brasileira com tons eletrônicos, que resultou em um som bem dançante. Pena que tinha pouca gente para dançar, já que o público que provavelmente gostaria da apresentação do Curumin estava no Main Stage vendo o Vanguart.
Eu, que fiquei na grade no Brothers of Brazil e no Curumin, não aguentei o som absurdamente alto e desconexo do Animal Collective. Acho que vi uns 25 minutos da apresentação, e foi suficiente para que eu desistisse de vez de acompanhar aquela psicodelia calculada, que mais parecia um barulho indistinto e pedante do que música. Muitos fãs se acotovelavam para ver o show da banda, que trouxe ao palco um aparato sonoro absurdo (e teve problemas constrangedores com o som no início) que, infelizmente, não conseguiu fazer sentido algum para mim.
Indo para o Main Stage, assisti um pouco da apresentação do Jesus & Mary Chain, que me pareceu muito interessante por conseguir transformar um aparente ruído em músicas climáticas e suaves. Mas não posso julgar uma apresentação que acompanhei tão superficilamente – ademais, da banda eu só conheço o álbum Psychocandy, que nem gosto tanto assim.
A apresentação do Foals, no Indie Stage, foi incrível. O som dançante, pesado e muito bem articulado da banda fez com que todo o público (que finalmente lotou o galpão) pulasse alucinadamente, no show mais animado até então (OK, deve ter perdido depois para o Kaiser Chiefs…). A experimentação psicodélica na medida certa (menos, Animal Collective), a pegada punk e o som ótimo das guitarras marcaram toda a apresentação, que foi tão boa que ninguém percebeu quando o show completou uma hora e o Foals teve que encerrar para a entrada do Spoon.
Em seguida, voltei ao Main Stage para conferir um pouco da apresentação do Offspring. Para mim, que não tive na adolescência nenhuma preferência específica pelo som da banda (na verdade, nem conhecia direito), a apresentação não significou o mesmo do que para as pessoas que estavam lá se recordando da época em que adoravam as músicas e sabiam cantar todas de cor. Mas me diverti bastante com o som do Offspring e sua bateria rápida, seu som punk e seus inúmeros hits.
Para fechar a noite, fui até o palco principal conferir a apresentação do Bloc Party, que, depois do vexame de tocar duas músicas com playback no VMB, tinha sua apresentação questionada por muitos críticos. Mesmo assim, o show foi ótimo, extremamente animado e todos os hits da banda soaram muito bem (embora eu esperasse mais de Mercury). A platéia não estava colaborando tanto com o show do Bloc Party, talvez guardando as energias para a atração final da noite: o Kaiser Chiefs, que realmente mostrou que sabe animar qualquer platéia, mesmo aquelas pessoas que não são muito fãs da banda (como eu). Com certeza, o Main Stage tremeu.
Agora é esperar o Planeta Terra 2009. Será que continuará tão bom?











Puuuuuxa, e a Mallu?
Hahaha, sério: eu sou tão por fora do que está fazendo sucesso hoje em dia que não tenho idéia de quem são essas pessoas todas – mas a Mallu, essa eu sei quem é =). Vagamente, é verdade, mas, dá licença, posso ter algum orgulho??? Obrigada! [/Mariana Marcondes, brigando consigo mesma]
Beijos