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It’s not enough

ceuceu

Já escrevi sobre o show para o Portal Virgula, em uma resenha que vou reproduzir logo abaixo. Mas vou aproveitar para fazer um relato mais pessoal do show antes disso – um show que eu provavelmente não teria aproveitado da maneira certa se não fosse o encanto recente que me atingiu pelo trabalho de Céu.

Seu segundo álbum de estúdio, Vagarosa, é uma pérola – e, seguido de perto pela mixtape do Emicida, o melhor lançamento nacional de 2009 até agora.  Vagarosa emociona: a mistura delicada de samba, dub, reggae e jazz é tão irresistível que nenhuma das faixas do CD é chata, dispensável ou previsível.

E, ao vivo, Céu encanta o espectador com o mesmo clima de malemolência do álbum, ao mesmo tempo em que consegue trazer mais gingado e mais ritmo às faixas.

Quando se fala de música brasileira, ainda surge a imagem de uma musicalidade irreversivelmente ligada ao samba e a MPB. Céu e outros artistas trazem diferentes ritmos e sonoridades a esse paradigma da “música brasileira”, mostrando que samba pode ter dub, que pode ter reggae, que pode ter jazz, que pode dialogar com Serge Gainsbourg, com Curumin, com Guizado, com Thalma de Freitas e com Miles Davis e ainda ser música brasileira.

Céu explica tudo isso e muito mais com Rainha, faixa que encerrou o show (antes do bis, Rosa, Menina Rosa) do dia 2 de outubro, no Auditório Ibirapuera:

Em show muito aplaudido, Céu conquista público de SP com repertório versátil

Por Stefanie Gaspar

Sob uma iluminação em matizes de rosa e diante de uma platéia intimista esperando para ser hipnotizada, a cantora Céu apresentou em São Paulo o repertório de seu segundo álbum, Vagarosa.

Em Vagarosa, Céu passeia com delicadeza e segurança por ritmos jamaicanos como dub e reggae e pelo samba, flertando com influências (declaradas) de artistas como Serge Gainsbourg e Betty Davis. E é ao vivo que a cantora e sua competente banda mostram que é possível amalgamar diferentes estilos e ainda assim conseguir apresentar um repertório homogêneo e criativo.

A cantora, que recentemente fez uma turnê no exterior, retornou para o Brasil mais segura: agora, Céu passeia com tanta tranqüilidade por composições difíceis que cada nota ousada parece ser uma extensão natural do show. Com sua dança característica, mais charmosa do que propriamente sensual, Céu abriu sua apresentação com a peculiar Espaçonave, apresentando ao público o primeiro convidado da noite: Fernando Catatu, líder da banda Cidadão Instigado.

Céu seguiu com Cumadi, de Vagarosa, e duas músicas de seu primeiro álbum, Malemolência e Lenda. Logo de cara, já foi possível perceber que, ao vivo, embora a sonoridade dub e a aura espacial do álbum continuem presentes, o espetáculo da cantora é muito mais dançante e gingado. Em seguida, Céu protagonizou, sob as luzes roxas dos holofotes, um momento mais introspectivo – deixando de lado o gingado do samba, a cantora cantarolou os versos de Grains de Beauté, que trouxe a influência de Serge Gainsbourg para perto e mostrou um lado mais dramático de seu show.

Após Nascente e Cangote, Céu trouxe para o palco seu segundo convidado, Rodrigo Campos, que fez um dueto com a cantora em Vira Lata, permanecendo com a banda até o final do show. Mas o ponto alto da performance veio logo em seguida, quando Céu trouxe para o palco Thalma de Freitas e Anelis Assumpção para a faixa Bubuia – as três vozes, potentes, conquistaram o público, e o palco logo se transformou em uma roda de samba entre as três compositoras (que estão começando o projeto Negresko Sis e prometem continuar se apresentando juntas).

Após performances impecáveis e emocionantes de Visgo de Jaca (de Rildo Hora e Sérgio Cabral) e Ponteiro, o medley de Papa e Cordão da Insônia e o delicioso e atrevido cover de Two To Tango, de Ray Charles, Céu encerrou a noite com duas pérolas: a música Rainha, que reuniu no palco Rodrigo Campos, Fernando Catatau, Pupilo, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção, e o bis tímido, mas emocionante, que trouxe Rosa Menina Rosa, cover da canção de Jorge Ben Jor.

Nesta primeira apresentação da turnê de Vagarosa em São Paulo (os shows acontecem também amanhã e domingo) Céu provou que chegou com tudo em seu segundo álbum – e que, ao vivo, suas composições só tendem a melhorar e a conquistar ainda mais o público. O único porém da noite (que não chega a ser um defeito) foi uma certa sensação de incompletude: mesmo que a acústica e a infra estrutura do Auditório Ibirapuera sejam impecáveis, Céu é uma cantora que convida o público a sambar com ela; tarefa impossível para quem precisa ficar sentado.

Setlist:

Espaçonave
Cumadi
Malemolência
Lenda
Grains de Beauté
Nascente
Cangote
Vira Lata
Visgo de Jaca (de Rildo Hora e Sérgio Cabral, versão feita a partir da interpretação de Martinho da Vila)
Bubuia
Ponteiro
10 Contados
Papa + Cordão da Insônia
Sonâmbulo
Two To Tango (cover de Ray Charles)
Rainha
Rosa Menina Rosa (cover de Jorge Ben Jor, interpretado no álbum Vagarosa por Céu e o grupo Los Sebosos Postiços)

Esse foi rápido – e, se tudo der certo, agente mantém o ritmo. Desta vez, continuamos falando de festivais: mais especificamente, do Planeta Terra e do Maquinária.

Resolvemos começar o podcast com a atração que todo mundo especulou para o Terra, todo mundo queria que viesse e é um sonho meu e da Tainá: Neil Young. Na verdade, a faixa escolhida é Looking for a Lover, interpretada pelo Wilco.

O Planeta Terra, que praticamente já definiu seu line-up (e só em um mundo muito estranho Sonic Youth não é headliner, mas deixa quieto), está representado nesse Vinil de Veludo pelo Primal Scream, uma das primeiras atrações anunciadas pelo evento. Escolhemos a faixa Movin’ On Up, do álbum Screamadelica, de 1991.

E, por fim, o Maquinária Festival não pode ficar de fora – principalmente por ter como headliner do primeiro dia o incrível Faith No More de Mike Patton. Eu aposto que o show, obviamente, vai ser histórico, lindo, matador. E, para tentar imaginar, escolhemos a clássica Epic.

Vai com fé.

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Quer um excelente motivo para começar bem a terça-feira?

Beth Gibbons te dá vários:

Im so tired, of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For Ive been a temptress too long

Blue Skies – Noah And The Whale

This is a song for anyone
With a broken heart
This is a song for anyone
Who can’t get out of bed

I’ll do anything
To be happy
Oh cause blue skies are calling
But I know that it’s hard

This is the last song
That I write
While still in love with you

This is the last song
That I write
While you’re even on my mind

Cause it’s time to leave
Those feelings behind
Oh cause blue skies are calling
But I know that it’s hard

I don’t think that it’s the end
But I know we can’t keep going
I don’t think that it’s the end
But I know we can’t keep going

But blue skies are calling
Oh yeah blue skies are calling
Oh blue skies are calling
But I know that it’s hard

Pois é. Lei anti-fumo, todo mundo já ficou sabendo, todo mundo tentando se adequar. Meus amigos fumantes, assim como eu, reclamam, sofrem, não conseguem conter a ansiedade na hora que entram na pista pra pegar uma balada; começa o suor, a ansiedade para saber quando vai bater aquele desejo incontrolável de pegar o maço e dar a primeira tragada. Daí tem o DJ, que fuma e precisa dar umas pausas para conseguir o alívio da noite, aquele cara ansioso que fica perto do bar pra poder dar umas escapadinhas de meia em meia hora pra fumar unzinho… tudo muito complexo para quem, como eu, curte a beça uma noite esfumaçada cheia de fumantes para quem o próximo cigarro é o começo da conversa.

E, já que estamos no clima da fumaça, que é a hora em que eu deixo
a preguiça de lado, aproveito pra dar uma atualizada no Nude as The News, que de novo ficou jogado às traças enquanto eu tentava organizar minha vida – bem confusa em julho e ainda mais absurda em agosto.

Quando a gente resolve retomar algumas coisas, começa a perceber que a única forma de trazer de volta é reformular. Então, para os próximos dias, podem esperar reformulações no blog todo, no conceito, na cara… tudo tudo mesmo.

Como estou aproveitando hoje para começar a organizar algumas coisas na minha cabeça, e, principalmente, tentar reunir todos os álbuns que baixei essa semana para começar a resenhar (e, olha, mais de 40 foram, pode ter certeza), vou dar uma prévia do que já ouvi para deixar de introdução para os textos propriamente ditos.

Aliás, não tem só coisa nova não – como deu um pau absurdo no meu computador e perdi metade das coisas q tinha reunido com tanto carinho, tive que começar a resgatar nos rapidshares da vida a maioria dos álbuns, o que me fez escutar tudo de novo. Bora, Brasil.

Front(Cover)

Jay-Z – The Blueprint 3

Ouvi duas vezes e ainda não estou satisfeita. A pegada futurista, as inúmeras parcerias, os ritmos que se sobrepõem mas muitas vezes não chegam a criar um ritmo homogêneo… há muito que se discutir a respeito desse álbum, que chega às lojas oficialmente no dia 11 de setembro. Confesso que ainda preciso me distanciar da influência que o incrível Ecstatic, do Mos Def, fixou na minha cabeça, com sua incrível sonoridade pesada, tribal e repleta de influências de ritmos internacionais.  Mas Jay-Z, quando quer, é mestre, e ele consegue mostrar isso em diversos momentos de The Blueprint 3: como o excelente single Run This Town, dominado pela participação contagiante de Rihanna e a intromissão quase irônica do mestre do ego, Kanye West. Vamos lá escutar mais uma vez…

Max Tundra - Parallax Error Beheads You_F

Max Tundra – Parallax Error Beheads You

Esse é um daqueles álbuns que escuto sem parar há muito tempo, mas que perdi na leva de músicas do meu HD que foram para o limbo. O som intrincado, complexo, cheio de camas, matizes, ritmos e influências é uma daquelas jóias que conseguem dominar o meu iPod sem concorrência. Aqui, o encanto vem da admiração por algo que eu sei que é saboroso, multifacetado e cativante -bem diferente daquele tipo de reverência que leva às lagrimas e que existe na minha relação com outras musicalidades.

O álbum é resultado de seis anos de trabalho, que soma cerca de 40 minutos de música pura. Consegue a façanha de ter cara de música pop ao mesmo tempo em que apresenta uma roupagem retrô e um diálogo com linguagens de vanguarda. Considero esse o trabalho mais acessível de Tundra, e aquele que sempre recomendo como o primeiro álbum a ser ouvido de sua discografia. O problema, ah, que problema, é que é tão viciante que as vezes fica difícil parar para ouvir outras coisas…

Aliás, tem algo que me irrita profundamente naquelas críticas estilo Pitchfork a respeito da obra dele – a afirmação descarada de que “gostamos dele porque ele é um gênio para ser compreendido por poucos”. Não são só os “eleitos” Pitchfork que podem gostar do trabalho de Tundra e se impressionar com a sonoridade intrincada das músicas. As faixas dele estão por aí para conquistar quem estiver a fim de conhecer – é verdade que normalmente as pessoas ou amam ou odeiam, mas nem de longe a música dele é tão hermética ou obscura que só um grupinho iluminado consegue curtir. Sai dessa, porque ninguém está mais na quarta série.

littledra

Little Dragon – Machine Dream

Esse quarteto sueco é inspirado – depois de estrear com um divertido álbum homônimo, a banda da encantadora Yukimi Nagano chega mandando muito bem com Machine Dream, um trabalho comandado por um electro pop competente e cativante.

Para quem gosta de um som mais espacial, salpicado por vocais doces, é a pedida certa. O sintetizador aqui não erra nunca, e só peca por não arriscar ainda mais e viajar na musicalidade etérea escandinava. A linda Fortune, a hipnotizante Thunder Love e a dançante Runabout são alguns dos destaques de um álbum delicioso, e que só peca em não trazer hits mais memoráveis e experimentalismos mais condizentes com um segundo álbum de carreira.

cover
Dirty Projectors – Bitte Orca

Dave Longstreth é uma assinatura que equivale a qualidade – após The Graceful Fallen Mango, The Glad Fact, Morning Better Last! e outros álbuns repletos de experientalismo, arranjos vocais e um embate para conseguir equilibrar uma intensa pesquisa musical erudita e complexa com a sonoridade típica da música pop, o compositor e produtor completou o projeto que resultou no incrível Bitte Orca.

Cinco álbuns lançados, hoje Dave Longstreth não está sozinho; o sexteto Dirty Projectors traz guitarras, teclado, baixo e batera, além da voz, que aqui é um instrumento musical tão determinante e condutor da musicalidade quanto qualquer outro.

Bitte Orca é uma explosão de idéias, musicalidade, influências (principalmente de ritmos africanos), instrumentos e ritmos, de tal forma que ouvir o álbum dá uma sensação de impossibilidade de assimilação. De fato, é muito difícil absorver tudo da primeira vez – e é por isso que é um álbum que precisa ser constantemente revisitado e virado de cabeça para baixo.

Volto a falar disso depois, mas o clima alto astral e ensolarado de Bitte Orca tem um pouco da cara de Merriweather Post Pavilion, do Animal Collective, que traz o hit de verão Brothersport e é com certeza um dos álbuns do ano (para mim, ainda ganha de Bitte Orca). O som lotado de camadas e que sempre parece trazer alguma instrumentalidade que passa despercebida inicialmente é um convite que não dá para ignorar. Sinestesia pura.

miley


Miley Cyrus – The Time Of Our Lives

Pois é, vou ter que ir de Dirty Projectors a Miley Cyrus. Como escrever no Portal Virgula é escrever sobre cultura pop e adolescente, é óbvio que resenhar o novo da Miley Cyrus é tarefa obrigatória, assim como foi Lines, Vines and Trying Times, do Jonas Brothers, e Guilty Pleasure, de Ashley Tisdale. E nem de longe isso é ruim – ajuda a ampliar os horizontes musicais.

O EP The Time Of Our Lives conta com sete faixas, que mantém a mesma base de refrões grudentos e musicalidade totalmente linear. A voz de Miley não se destaca em nenhuma faixa, mas ao menos a cantora se mostra afinada o suficiente para dar conta dos agudos que precisa.

As composições, infelizmente, não trazem nada que se destaque, mas é preciso fazer justiça ao esforço da atriz principal da série Hannah Montana – seu EP soa muito melhor do que as canções de outras estrelas teen, como Ashley Tisdale e Demi Lovato.

Por sorte, The Time Of Our Lives é um EP, e termina exatamente na hora em que o ouvinte pensa que aquele som já lhe proporcionou tudo que podia.

Só para terminar, aproveitando que descobri hoje a tarde que meu PC está tão abarrotado de músicas que é hora de comprar um HD externo (já que parar de colocar mais música não é uma opção, oi), já adianto que falta muita coisa para ouvir de novo e colocar algumas impressões aqui: tem o EP Ayrton Senna (pois é!), do Delorean, Vagarosa, da Céu (que falei um tiquinho aqui), Bible Belt, da Diane Birch, See Mistery Lights, do Yacht, e mais um monte de álbuns espalhados por aqui.

See ya.

Vinil de Veludo VII

A gente demorou, mas voltou. Dessa vez, viemos no pique dos festivais – Planeta Terra e Maqunária em novembro, sem contar que reza a lenda que vem por aí um Popload Gig 3, com La Roux encabeçando o line-up.

No Vinil de Veludo VII, é Londres na cabeça – começamos com La Roux, que apesar de não ter um álbum muito regular conseguiu emplacar ótimas músicas, como o hit Tigerlily; continuamos com The Ting Tings, que passa pelo Brasil em novembro no Planeta Terra (aqui, você ouve a faixa Shut Up And Let Me Go); e finalizamos com mais uma atração do festival, a banda que a Tainá simplesmente não consegue tirar do automático: Metronomy, com a ótima faixa Radio Ladio.

Enjoy, people.

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moby1

É no mínimo curioso que o produtor Moby, conhecido por seu tino comercial e muitas vezes criticado por ter sido responsável por disseminar o techno de maneira trivial e superficial, lance um álbum tão introspectivo e
depressivo como Wait For Me.

Na verdade, o que mais surpreende nesse lançamento não é exatamente a
introspecção, considerando que o techno com toques de melancolia foi
exatamente o que levou seu álbum Play, de 1999, a alcançar um incrível
sucesso – o curioso é que o produtor nega seu lado marqueteiro ao falar
sobre o novo álbum, afirmando repetidamente que resolveu se dissociar da
música feita para o mercado e fez, talvez pela primeira vez, um álbum que
realmente ame.

Segundo ele, a inspiração que o fez deixar de lado as exigências do
mercado e criar um álbum “sem preocupações de como seria a reação do
público” veio de David Lynch. “David falou, em um discurso no Bafta, sobre como a criatividade pode alcançar níveis incríveis quando não está
subjugada às leis de mercado. Por isso, ao gravar esse disco, decidi fazer
algo que eu realmente amasse, e o resultado é mais suave e melódico, mais
triste e mais pessoal do que um bocado dos discos que criei no passado”,
afirmou Moby, que também fez questão de salientar que o álbum foi
totalmente feito em sua casa, em um estúdio rudimentar que contou apenas
com a participação de amigos próximos.

O resultado? Um álbum intenso, extremamente melancólico e que parece
perfeitamente adequado a uma trilha sonora de filme – e, considerando que
Moby convidou David Lynch para dirigir o vídeo da música Shot in the Back
of the Head
, não é nada estranho que as faixas de Wait For Me soem como
trilha sonora de diversos trabalhos do cineasta, especialmente a série
Twin Peaks, na qual Moby já havia trabalhado anteriormente.

Em meio a muita tristeza e melancolia e diversas músicas instrumentais,
faixas como Pale Horses, Study War, Mistake (única faixa que conta com os
vocais de Moby), Scream Pilots, JLTF, A Seated Night e Wait For Me mostram que Moby acertou quando resolveu fazer um disco mais simples (até a arte do álbum é minimalista, com desenhos feitos à mão pelo produtor) e mais introspectivo. A mixagem de Ken Thomas, que já trabalhou com Sigur Ros e M83, também ajudou a transformar o resultado final em algo coeso e interessante, com a adição de sons de pedais antigos e o uso de
equipamentos analógicos.

É no mínimo curioso que o produtor Moby, conhecido por seu tino comercial
e muitas vezes criticado por ter sido responsável por disseminar o techno
de maneira trivial e superficial, lance um álbum tão introspectivo e
depressivo como Wait For Me.

Na verdade, o que mais surpreende nesse lançamento não é exatamente a
introspecção, considerando que o techno com toques de melancolia foi
exatamente o que levou seu álbum Play, de 1999, a alcançar um incrível
sucesso – o curioso é que o produtor nega seu lado marqueteiro ao falar
sobre o novo álbum, afirmando repetidamente que resolveu se dissociar da
música feita para o mercado e fez, talvez pela primeira vez, um álbum que
realmente ame.

Segundo ele, a inspiração que o fez deixar de lado as exigências do
mercado e criar um álbum “sem preocupações de como seria a reação do
público” veio de David Lynch. “David falou, em um discurso no Bafta, sobre
como a criatividade pode alcançar níveis incríveis quando não está
subjugada às leis de mercado. Por isso, ao gravar esse disco, decidi fazer
algo que eu realmente amasse, e o resultado é mais suave e melódico, mais
triste e mais pessoal do que um bocado dos discos que criei no passado”,
afirmou Moby, que também fez questão de salientar que o álbum foi
totalmente feito em sua casa, em um estúdio rudimentar que contou apenas
com a participação de amigos próximos.

O resultado? Um álbum intenso, extremamente melancólico e que parece
perfeitamente adequado a uma trilha sonora de filme – e, considerando que
Moby convidou David Lynch para dirigir o vídeo da música Shot in the Back
of the Head, não é nada estranho que as faixas de Wait For Me soem como
trilha sonora de diversos trabalhos do cineasta, especialmente a série
Twin Peaks, na qual Moby já havia trabalhado anteriormente.

Em meio a muita tristeza e melancolia e diversas músicas instrumentais,
faixas como Pale Horses, Study War, Mistake (única faixa que conta com os
vocais de Moby), Scream Pilots, JLTF, A Seated Night e Wait For Me mostram
que Moby acertou quando resolveu fazer um disco mais simples (até a arte
do álbum é minimalista, com desenhos feitos à mão pelo produtor) e mais
introspectivo. A mixagem de Ken Thomas, que já trabalhou com Sigur Ros e
M83, também ajudou a transformar o resultado final em algo coeso e
interessante, com a adição de sons de pedais antigos e o uso de
equipamentos analógicos.

deadweather

Ouça aqui o álbum na íntegra em streaming

É a nostalgia de um som que remete aos anos 70 – que traz de volta à memória os bares esfumaçados de beira de estrada de uma América interiorana que ainda acredita no bem e no mal – que explica o conceito de Horehound, debut álbum do The Dead Weather. As letras, que trazem um tom depressivo e sexual, são temperadas com influências do blues e do rock de garagem, que fazem com que a estréia do grupo seja, ao mesmo tempo, agressiva e melancólica. Ou, como definiu Jack White em uma entrevista, “um álbum de gothic blues”.

Personificando o demônio de um mundo antigo, está a vocalista Alison Mosshart, do The Kills, na companhia de Jack Lawrence, baixista do The Raconteurs, e Dean Fertita, tecladista e guitarrista do Queens of The Stone Age. E, manipulando cada som obscuro e cada nota musical – já que é óbvio que ele não se contentaria com menos –, está Jack White, que aqui sai do papel de vocalista e guitarrista e assume a bateria. Mas não pensem que Jack White saiu dos holofotes, porque a sonoridade deste álbum do The Dead Weather fala muito poucos dos demais integrantes da banda, e diz tudo sobre o idealizador do projeto. É a bateria de White que conduz todas as músicas e define a sonoridade pesada e intensa do álbum, muito mais do que qualquer outro instrumento.

Horehound foi composto e gravado em um período de apenas quinze dias, na central da Third Man Label, de Jack White. O estúdio, em Nashville, abrigou as rápidas gravações do álbum, que segundo a banda simplesmente surgiu, em meio a conversas, poucos instrumentos e algumas velas queimando. Como é óbvio que Jack White é um músico muito experiente para realmente acreditar que um sinal divino simplesmente fez cada integrante do estrelado grupo ter uma idéia brilhante do nada, as declarações vagas a respeito do processo de composição da estréia do The Dead Weather ajudam a entender um pouco do charme desse trabalho, que é envolto em uma aura de mistério e sensualidade. Quanto menos Jack White explica, mais os fãs se debruçam sobre as letras dúbias e o vocal propositalmente rasgado e com cara de bad girl de Alison para entenderem a essência de Horehound.

O clima sexy do álbum, que traz a sensação de alguém que está fascinado e, ao mesmo tempo, em um clima de ameaça constante, fica por conta dos vocais de Alison Mosshart, que aqui se distancia de seu trabalho mais pop do The Kills e tenta entrar de cabeça em um som mais forte e que exige outras características de sua voz. E ela abraça a causa, tentando cantar como uma diva rouca e sensual e explorando diferentes tons nas faixas mais agressivas, como 60 Feet Tall e Bone House. Embora seu trabalho em Horehound seja consistente e passe a agressividade necessária em grande parte das faixas, fica claro que a vocalista ainda precisa de muita experiência e estrada para alcançar a versatilidade vocal que as composições mais voltadas para o blues que parecem ser a pegada do The Dead Weather exigem a cada nota.

A bateria de Jack White domina de tal forma o álbum, e de uma maneira tão surpreendente, que é impossível não atribuir a ele a responsabilidade por esse debut do grupo ser tão agradável aos ouvidos. A bateria de Jack White é que amarra o álbum e atribui a ele uma qualidade narrativa consistente. O baterista, aqui, domina desde o início do álbum, com 60 Feet Tall, seguindo por I Cut Like a Buffalo (única composição que é apenas de White) e desembocando na deliciosa composição faroeste Rocking Horse, cuja lentidão vem num clímax descendente, de um álbum que começa batendo em nossos ouvidos com violência e termina acariciando as mesmas letras que antes parecia vociferar.

deadweather2

Os pontos fortes do álbum, entretanto, estão guardados para o final – com Bone House, que traz uma ótima performance de Alison Mosshart, a energética e intensa 3 Birds, e a melhor composição de Horehound, Will Be There Enough Water?, que traz influências claras de Bob Dylan, compositor que foi reinterpretado no álbum com um cover da inusitada e pouco conhecida New Pony (para quem quiser comparar, clique aqui para ouvir a versão original de Dylan).

O The Dead Weather pode não ter criado o álbum mais original de 2009, mas com certeza pode ser considerar responsável por ter trazido um dos trabalhos mais cativantes, inteligentes e equilibrados do ano até agora. O que é um excelente resultado para Jack White, o múltiplo homem de três bandas, e o restante de sua trupe do The Dead Weather.

OK, a gente sabe que demorou, mas digamos que este podcast teve que ser gravado duas vezes devido ao sono, a bebida e a vida. Essa segunda versão, a oficial, traz um cara que mrece ser ouvido, chamado Paolo Nutini. Há algumas semanas atrás o rapaz alcançou o topo das paradas britânicas de melhores álbuns, e garanto que não é qualquer um que consegue fazer isso.

Então, nessa edição trouxemos duas músicas dele, chamadas Coming Up Easy e Worried Man. A terceira música fica por conta do mestre Bob Dylan, talvez a principal influência da sonoridade de Paolo Nutini.

Divirtam-se, mandem sugestões e críticas para vinildeveludo@gmail.come aguardem o próximo, que já está gravado e pronto para surgir por aí.

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